Petrobras garante suprimento de gás para UFN3 com reversão do Gasbol e foco no pré-sal

Fim do gás boliviano? Petrobras revela plano para salvar fábrica de fertilizantes em MS

Petrobras garante suprimento de gás para UFN3 com reversão do Gasbol e foco no pré-sal
UFN3: Petrobras investirá US$ 1 bilhão e usará manobra inédita para garantir produção Divulgação
Por Francieli Anjos |
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A Petrobras reafirmou o compromisso com a retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas (MS), assegurando que o cronograma e a operação da planta não serão impactados pela queda na produção de gás natural da Bolívia. A estratégia da estatal para garantir a matéria-prima envolve uma manobra logística robusta: a reversão do fluxo do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) e o uso intensivo de gás nacional proveniente do pré-sal.

Estratégia de segurança energética

O fornecimento de gás é o ponto crítico para a produção de ureia e amônia. Atualmente, o Brasil importa entre 10 milhões e 15 milhões de metros cúbicos diários da Bolívia. Contudo, diante da escassez nas jazidas vizinhas, o gerente-executivo de Projetos da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, explicou que a infraestrutura brasileira já permite alternativas.

Caso o volume boliviano cesse, a Petrobras enviará o gás produzido na costa brasileira para o interior do país. "Nós revertemos o fluxo e colocamos o gás para dentro da UFN3", afirmou o executivo em declaração recente. O projeto deve consumir cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos por dia quando estiver em plena operação.

Cronograma de obras e investimentos

A retomada das obras está prevista para ocorrer entre junho e julho de 2026. O Conselho de Administração da Petrobras aprovou um investimento de aproximadamente US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para concluir a unidade, que está paralisada desde 2014. A assinatura dos novos contratos de engenharia deve ocorrer ainda em maio.

Além da reversão do Gasbol, o Plano de Negócios 2026-2030 da companhia prevê a adição de 18 milhões de metros cúbicos de gás através de novos projetos na costa de Sergipe, reforçando a malha nacional e blindando a indústria de fertilizantes contra instabilidades geopolíticas ou geológicas.

Impacto econômico e produção

A UFN3 é considerada uma peça-chave para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, setor que sofreu fortes pressões de preço após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia. A expectativa é que a unidade entre em operação comercial no primeiro semestre de 2029, com capacidade para produzir:

  • 3.600 toneladas/dia de ureia;

  • 2.200 toneladas/dia de amônia.

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