Efeito Arauco: Megafábrica em Inocência faz Finlândia desbancar Bolívia nas importações de MS
Pela primeira vez em mais de duas décadas, um país europeu liderou as importações do estado vizinho, impulsionado pela compra de equipamentos gigantes para o Projeto Sucuriú
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👉 ENTRAR NO CANAL GRATUITO Seu número fica oculto e protegido.Um fato inédito movimentou a economia do estado vizinho, Mato Grosso do Sul, e mostra a força do desenvolvimento industrial na nossa região. Pela primeira vez em mais de 20 anos, a Bolívia perdeu o posto de principal parceiro comercial de importações do MS. O novo líder? Um improvável país nórdico: a Finlândia.
Segundo dados de fevereiro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as compras vindas da Finlândia somaram impressionantes US$ 126,1 milhões, ultrapassando com folga os US$ 68,3 milhões importados da Bolívia no mesmo período.
O motivo da reviravolta O responsável por essa mudança drástica na balança comercial é um projeto que promete transformar a região de Inocência (MS), cidade próxima à divisa com São Paulo: a construção da primeira megafábrica de celulose da multinacional chilena Arauco no Brasil.
Os US$ 126 milhões importados referem-se à compra de caldeiras gigantes e de alta tecnologia para a planta processadora de celulose de fibra curta. Esses equipamentos são produzidos pela empresa finlandesa Valmet, que será responsável por fornecer todo o maquinário da unidade.
Batizada de "Projeto Sucuriú", a fábrica da Arauco tem um investimento previsto de US$ 4,6 bilhões. Quando for concluída, com previsão para o final de 2027, será a maior planta processadora de celulose em linha única de todo o planeta.
Gás natural fica em segundo plano Para se ter uma ideia do impacto, os valores dos equipamentos finlandeses superaram até mesmo as compras da Petrobras. Desde o início dos anos 2000, com o gasoduto Bolívia-Brasil, o gás natural boliviano liderava absoluto as importações sul-mato-grossenses. Em fevereiro, no entanto, as compras da Arauco representaram 35,3% de tudo que o MS importou, enquanto o gás boliviano ficou com uma fatia de 18,8%.
A expectativa do mercado, no entanto, é que o gás natural volte a liderar os próximos meses, já que a aquisição das caldeiras da megafábrica foi um evento pontual de fevereiro.
Celulose reina nas exportações Se nas importações a construção da fábrica já faz barulho, nas exportações o produto final prova sua força contínua. A celulose manteve a liderança isolada nas vendas de Mato Grosso do Sul para o exterior em fevereiro, representando 31,5% do total exportado (US$ 251 milhões).
A carne bovina (21,8% ou US$ 173,2 milhões) e a soja (15,2% ou US$ 121 milhões) completam o pódio dos produtos mais vendidos pelo estado vizinho. O principal destino de toda essa produção continua sendo a China, que absorveu 43,2% das exportações no mês.