Santa Casa de Araçatuba inicia procedimento inédito com polilaminina para tratar lesão medular

Inovação em Araçatuba: Hospital realiza procedimento experimental que busca reverter paralisia

Santa Casa de Araçatuba inicia procedimento inédito com polilaminina para tratar lesão medular
Inovação em Araçatuba: Hospital realiza procedimento experimental que busca reverter paralisia Divulgação
Por Paulo Marinho
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A Santa Casa de Araçatuba consolidou-se, nesta segunda-feira (20), como um dos raros centros hospitalares do Brasil capacitados para a aplicação da polilaminina, uma substância experimental que representa a fronteira da medicina regenerativa no tratamento de lesões na medula espinhal. O procedimento foi realizado em um paciente de 50 anos, morador de Clementina (SP), vítima de um grave acidente automobilístico ocorrido em janeiro, em Birigui.

Este caso marca a 60ª utilização da substância em regime de uso compassivo no território nacional e é o primeiro registro de tal intervenção na região noroeste paulista. O uso compassivo é regulamentado pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 38/2013 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), permitindo que pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas tenham acesso a fármacos ainda em fase de pesquisa.


O Protocolo Científico e a Equipe Médica

A intervenção é fruto do protocolo de pesquisa "Tratamento da Lesão Raquimedular com Injeção de Polilaminina", autorizado pela Coordenação de Pesquisa Clínica em Medicamentos e Produtos Biológicos (COPEC/Anvisa). A equipe responsável pela aplicação foi composta pelos médicos:

  • Dr. Guilherme Galdino de Sousa e Dr. Eliel de Souza Leite: Responsáveis diretos pelo protocolo de pesquisa.

  • Dr. Daniel Rodrigues: Coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Araçatuba.

  • Dr. Luciano Perdigão: Médico que acompanhou o paciente na Atenção Básica e propôs a medida experimental.

O paciente em questão apresenta um quadro de tetraparesia decorrente de um traumatismo raquimedular na região cervical. Devido à alta complexidade e à baixa capacidade de regeneração natural do sistema nervoso central, a polilaminina surge como uma tentativa de modificar o microambiente da lesão.


Como funciona a Polilaminina?

Segundo o Dr. Eliel de Souza Leite, o objetivo da substância é atuar sobre os impedimentos biológicos que travam a recuperação neurológica. A polilaminina trabalha na modulação da inflamação e na redução das cicatrizes gliais, que funcionam como barreiras físicas à regeneração.

"Buscamos restabelecer condições biológicas que favoreçam o crescimento axonal e a reorganização das conexões neurais", explica o pesquisador.


Referência em Alta Complexidade

A viabilização deste procedimento na Santa Casa de Araçatuba, através do Hospital Sagrado Coração de Jesus, reforça a infraestrutura técnica e a governança clínica da instituição. Para o provedor do hospital, Dr. Everton Santos, a inovação é uma ferramenta de dignidade humana.

"Não há promessa de resultado, mas há compromisso com o cuidado e com a ciência. Abrimos uma porta que raramente está disponível para oferecer uma oportunidade real a quem esgotou as alternativas tradicionais", pontuou o provedor.

Após a cirurgia, o paciente permanece internado sob monitoramento contínuo da equipe de neurocirurgia. O acompanhamento pós-operatório é rigoroso, seguindo os padrões exigidos para protocolos de terapias avançadas, visando garantir a segurança assistencial e a coleta de dados para o avanço do estudo clínico no Brasil.

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