Stone toma tombo de R$ 132 bi em valor em um ano

Da redação com Exame, em21/02/2022
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André Street e Eduardo Pontes tiveram uma ascensão meteórica ao criar a Stone (STOC31), menos de uma década atrás.

A dupla transformou o jeito com que negócios espalhados pelo Brasil lidavam com pagamentos, inspirados pela Square, empresa do ex-CEO do Twitter Jack Dorsey. Eles atraíram investidores como a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, Jack Ma, do Alibaba, e a família Walton, do Walmart, tornando-se bilionários antes mesmo de completarem 40 anos de idade.

O sucesso alimentou ambições da dupla em revolucionar a indústria de serviços financeiros não apenas no Brasil mas em lugares como Portugal, Reino Unido e Oriente Médio.

Até que as coisas começaram a dar errado no mercado em que tudo começou. E, rapidamente, muito errado.

Após abalar o setor de pagamentos brasileiro, a Stone procurou focar no que prometia ser uma operação ainda mais lucrativa: crédito.

Ao longo dos últimos anos, a empresa começou a emprestar para pequenos e médios negócios no Brasil todo. Mas a companhia subestimou os riscos e a inadimplência explodiu, forçando a Stone a interromper a originação de crédito no ano passado.

Desde então, os problemas têm crescido. E os investidores, ficando cada vez mais impacientes. A companhia com sede em São Paulo viu suas ações caírem 88% até quinta-feira, dia 17, apagando US$ 25,6 bilhões (R$ 132 bilhões) em valor de mercado.

Um ano atrás, em 17 de fevereiro de 2021, as ações eram negociadas no recorde de US$ 94,09. Nesta quinta, 17 de fevereiro de 2022, encerraram a US$ 11,16.

O que era uma das empresas de tecnologia financeira que mais cresciam no mundo se tornou um alerta para fintechs em geral, sobre os desafios da expansão para mercados dominados há décadas por grandes bancos.

“É uma lição para todos os bancos digitais e para as plataformas similares no Brasil”, disse Malcolm Dorson, gestor da Mirae Asset Global Investments em Nova York. A Stone despontava como “a melhor da sala” entre as fintechs na região, mas os problemas recentes afetaram sua credibilidade, disse Dorson.

Outras startups de pagamentos da América Latina também vêm sofrendo. A PagSeguro (PAGS34), maior rival da Stone, caiu 73% nos últimos 12 meses. A empresa, do bilionário Luis Frias, de 58 anos, também tem se expandido para serviços bancários.

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