Marina Silva deixa PV na quinta
Marina Silva deixa PV na quinta

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A
decisão está tomada: depois de quase dois anos no Partido Verde (PV), a
ex-senadora Marina Silva anunciará, nesta quinta-feira, sua desfiliação. Em
evento em um espaço cultural em São Paulo, mesmo local em que eram feitas
reuniões políticas e entrevistas coletivas durante a campanha presidencial de
2010, Marina reunirá seus principais aliados para oficializar a saída. No mesmo
dia, ela inicia um debate para criar o Movimento Verde de Cidadania, nome
provisório da entidade civil que servirá de teste para a nova legenda que
o grupo deve criar após as eleições de 2012 - uma espécie de pré-partido.
Marina
está na Alemanha desde a semana passada para participar de um encontro de
partidos verdes de todo o mundo. Antes de viajar, ela já havia se reunido com
amigos para pedir opiniões sobre sua saída. Apesar de já haver sinalizado
diversas vezes a intenção de deixar o PV, a ex-senadora ainda não tinha certeza
se deveria desistir de tentar mudar a estrutura da legenda. Nos últimos dias,
em conversas com os integrantes do grupo Transição Democrática, surgido em
oposição ao presidente José Luiz Penna, veio a certeza.
Os
marineiros menos otimistas convenceram a ex-parlamentar de que o embate dentro
do partido já é inútil. Desde março, Penna não deu qualquer sinal de que
aceitaria as sugestões dos companheiros de Marina nem abriria mão da
presidência. Um a um, os integrantes do grupo foram jogando a toalha um a um. O
primeiro grande nome a tornar a desistência oficial foi o ex-candidato ao
governo de São Paulo Fábio Feldmann, que divulgou carta na última quinta.
Aliados - Junto com a ex-candidata à
Presidência e seus 20 milhões de votos, deixam o PV aliados como os empresários
Guilherme Leal e Roberto Klabin, o ex-coordenador da campanha presidencial João
Paulo Capobianco, o ex-presidente do PV de São Paulo Maurício Brusadin, os
ex-candidatos ao governo paulista Fábio Feldmann e ao Senado Ricardo Young, o
ex-deputado federal e ex-petista Luciano Zica e o ex-presidente do Ibama
Basileu Margarido Neto.
Uma
segunda parcela do grupo Transição Democrática que tem um mandato ou pretende
se candidatar nas eleições municipais irá apenas se afastar de atividades
partidárias. "Eles saem do PV de alma, mas não de corpo", comenta um
dos aliados de Marina. Esse é o caso do deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), atual
vice-presidente da legenda. Os outros integrantes do Transição Democrática
continuarão filiados, ainda tentando conquistar espaço para mudanças.
Maurício
Brusadin deve divulgar sua carta de desfiliação nesta terça. "A saída não
será em manada nem haverá uma orientação fechada. Parte do grupo não volta
atrás, como eu, mas a opção é de cada um", comenta. Brusadin renega o
termo "pré-partido" para o movimento que será criado pelos
dissidentes verdes. "Não vamos deixar de fazer política, pelo contrário.
Mas vamos fazer isso de forma mais ampla, porque entendemos que esse modelo de
democracia partidária não dá tudo o que a sociedade digital demanda porque está
ultrapassado", explica. "Não dá para montar um partido sem fazer um
amplo debate com a sociedade".