Juiz contesta STF e anula união gay em Goiás
Juiz contesta STF e anula união gay em Goiás

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O estudante Odílio Torres e o jornalista Liorcino Mendes formam o primeiro casal gay de Goiânia a registrar o casamento depois da decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo.
Também são
os primeiros a terem o contrato anulado pela Justiça. Nesta sexta-feira, o juiz
da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal e Registros Públicos, Jeronymo Pedro
Villas Boas, contestou a decisão do STF, considerou que a Corte não tem
competência para alterar as normas incluídas na Constituição Federal e anulou
de ofício (sem ter sido provocado) a união estável entre o casal.
Neste
domingo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contestou a decisão de Villas
Boas. Em nota, o presidente em exercício da OAB nacional, Miguel Cançado,
afirmou que a decisão do juiz de Goiânia é "um retrocesso moralista".
"As relações homoafetivas compõem uma realidade social que merecem a
proteção legal", afirmou.
A
decisão do Supremo é vinculante e tem de ser acatada pelas demais instâncias do
Judiciário. Villas Boas considerou, contudo, que a Corte não tem poderes para
modificar o artigo 226 da Constituição, que diz: “para efeito da proteção do
Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade
familiar, devendo a lei facilitar sua conversão”. Além de ter decidido pelo
cancelamento do contrato firmado pelos homossexuais, Villas Boas também
determinou que todos os Cartórios de Goiânia rejeitem o registro de declarações
de união estável entre pessoas do mesmo sexo. O ato entre homossexuais só terá
validade se houver decisão judicial prévia.
Liorcino Mendes e Odílio Torres firmaram a união estável em 9 de maio. Nesta
segunda-feira, o casal promete recorrer à comissão da diversidade sexual da OAB
de Goiás, ao Conselho Nacional de Justiça e a Corregedoria do Tribunal de
Justiça de Goiás para revogar a determinação do juiz.
Em
5 de maio, por dez votos contra zero, a esmagadora maioria dos ministros do STF
reconheceu a união civil entre homossexuais, assegurando a esses casais os
mesmos direitos dos casais heterossexuais. O 11º ministro, José Antonio Dias
Toffoli não participou da discussão por declarar-se impedido.