Como evitar queda de desempenho por estresse térmico no gado confinado?

Fonte: girodoboi.com.br/, em21/10/2020

AULAS DE INGLÊS GRATUITA NO YOUTUBE: ASSISTA AGORA >>

Consequência do calor intenso, incluindo quebras de recorde de temperatura, a queda de desempenho dos animais confinados pode ser problema para os pecuaristas em determinadas regiões. E caso as oscilações de produtividade não sejam detectadas ao longo da engorda, a surpresa negativa pode vir ao final da operação, com o recebimento dos dados de romaneio do lote abatido.

Nesta sexta-feira, dia 16, o Giro do Boi levou ao ar entrevista com o Alex Sandro Campos Maia, engenheiro agrônomo, mestre e doutor em zootecnia e professor de bioclimatologia zootécnica na Unesp em Jaboticabal-SP, que explicou as consequência do estresse térmico.

“São as condições de temperatura elevada, principalmente os níveis de radiação, que acabam alterando parâmetros fisiológicos que refletem nos parâmetros de desempenho. O animal vai passar a ingerir uma quantidade menor de alimentos, passando a ingerir uma quantidade maior de água. Com isso você vai ter menor desempenho dos animais e vai refletir no romaneio dele na hora do abate, que é o desempenho em termos de carcaça, sem contar os aspectos como classificação de carcaça, entre outros”, introduziu o especialista.

Maia explicou quais são as reações que ocorrem no corpo do animal que levam à alteração de comportamento e desempenho. “O animal, quando está sujeito a uma situação extremamente estressante, como essa que nós estamos relatando, inevitavelmente vai diminuir atividade porque ele não consegue dissipar o conteúdo de calor corporal gerado via metabolismo. Para que ele diminua essa quantidade de calor interno, ele reduz o metabolismo com uma menor ingestão de alimentos e, com isso, inevitavelmente, é prejuízo na hora do abate, menor rendimento de carcaça”, acrescentou.

O doutor em zootecnia indicou que o pecuarista deve tomar conhecimento de quando os extremos de temperatura acontecerão para antecipar problemas derivados desta condição. “O caminho é a prevenção porque depois que o animal já foi para o abate não tem o que ser feito. A solução é você prevenir esses efeitos negativos dessas condições de intensa radiação e alta temperatura, que a gente observou nesses últimos meses e semanas no Brasil. Na nossa região aqui, principalmente então, é muito importante que seja feita uma prevenção. Se nós sabemos que vamos ter condições de temperaturas muito elevadas em níveis de radiação, a gente tem que agir preventivamente para evitar esses prejuízos na hora do romaneio”, apontou.

O professor da Unesp detalhou quais práticas entram na lista desta prevenção. “O caminho básico que deve ser seguido é você evitar que o animal tenha ganho em calor por radiação solar. Esse é o principal efeito. Para que a gente consiga fazer isso, você deve oferecer ao animal áreas de sombreamento. Se você consegue oferecer estas áreas de sombreamento, o animal vai poder se proteger desta intensa radiação solar e, com isso, ele vai evitar uma sobrecarga de calor interno. Consequentemente, ele vai poder ingerir uma quantidade maior de alimentos, com isso melhorando o seu desempenho. Todas as pesquisas feitas na área até o momento tem mostrado que esse é o primeiro passo”, frisou.

Peso à desmama aumenta 5% para bezerros em piquetes sombreados

Maia disse acreditar que episódio de temperaturas extremas possam ser mais recorrentes nos próximos anos, expondo os animais ao estresse com maior frequência. “Uma coisa que o produtor tem que estar atento é que os elevados níveis de radiação que chegam à superfícies terrestre é que são os fatores mais preocupantes e que os animais devem ser protegidos dessa radiação. Por isso eu volto a frisar o oferecimento de áreas de sombreamento para que o animal se proteja desse elevado nível de radiação. Este é o primeiro passo, porque a temperatura do ar você não vai conseguir alterar no confinamento aberto. Você não tem como baixar essa temperatura, mas você tem como evitar que o animal seja exposto ao ganho de calor por radiação. Se nós sabemos que vamos ter eventos extremos como esse com maior frequência, nós devemos agir preventivamente”, sustentou.

O agrônomo listou quais são as práticas que, adotadas no dia a dia, podem ajudar o produtor e prever o estresse térmico. “A leitura de cocho ajuda. Mas o ponto principal e básico é ele poder também monitorar as condições meteorológicas do ambiente. Hoje é simples monitorar, com sensores que oferecem respostas em tempo real de onde se encontram os níveis de radiação e temperatura. Com isso associado a medidas nos animais, como leitura de cocho, você vai poder então prever se essa temperatura está afetando em termos de consumo ou não, se o nível está sendo afetado ou não, em tempo real. Aí então quando você for fazer um novo trato, baseado nos eventos anteriores que você acabou de registrar, você vai poder informar a quantidade a ser ofertada no cocho, se você mantém ou se você reduz. […] Com isso você pode economizar em termos de consumo de alimentos. Não adianta você colocar alimento no cocho se o animal está estressado e não vai ingerir. Você vai ter um prejuízo dobrado: além de não ter o desempenho esperado do animal, você está jogando alimento fora. Portanto, um ponto básico é o produtor unir estas respostas como leitura de cocho associada a informações meteorológicas no ambiente”, sugeriu.

O pesquisador falou ainda a respeito de um estudo desenvolvido em propriedade da Agro-Pastoril Paschoal Campanelli no interior de São Paulo com o uso de sombrite, projetando que os resultados obtidos serão divisores de água para a engorda intensiva.

“A estrutura montada nesse confinamento sem dúvida nenhuma é uma das melhores do mundo para esse tipo de estudo. Os resultados que a gente vem obtendo são extremamente satisfatórios. Nós tínhamos pesquisas anteriores que mostravam esse resultado como melhor ganho de peso dos animais quando é proporcionado a eles o conforto térmico através de sombreamento. […] Agora o experimental dessa propriedade, da Agro-Pastoril Paschoal Campanelli, vem como divisor de água porque a estrutura é excepcional e os resultados que a gente vem obtendo lá também são excepcionais. Nós estamos em fase final de análise e lapidação desses dados. […] Nos próximos dias ou semanas nós vamos estar concluindo essas análises, mostrando esse resultado em termos de desempenho, em termos de ganho, lucratividade, que interessa ao produtor. Mas adianto a vocês que os resultados são extremamentes animadores e serão um divisor de águas para a pecuária nacional em termos de confinamento”, animou-se Alex Sandro.



Veja Mais