Conheça 3 vantagens únicas que colocam o Brasil no radar da corrida espacial

Localização privilegiada, potencial de atração de investimentos e expertise da indústria brasileira em satélites posicionam o Brasil como peça relevante na nova economia espacial

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Conheça 3 vantagens únicas que colocam o Brasil no radar da corrida espacial - Divulgação
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Se você anda ligado no noticiário nos últimos dias, sabe que lá no alto, no espaço sideral, está em andamento mais uma missão espacial da NASA: o Programa Artemis que, após mais de 50 anos, pretende levar humanos de volta à Lua.

Na fase do programa que está em andamento – o Artemis II –, a missão é dar a volta na lua e retornar à Terra, em uma nave tripulada. Na próxima fase – Artemis III – dois astronautas devem pisar na lua, enquanto outros dois permanecem em órbita. E por fim, na Artemis IV, o objetivo será construir infraestrutura na superfície lunar.

Colher amostras do solo e testar tecnologias para ir a Marte são alguns dos objetivos centrais do Programa Artemis.

O avanço desse projeto marca uma nova era da exploração espacial, com maior protagonismo de empresas privadas e diversificação de oportunidades econômicas. E se você acha que a indústria brasileira não tem potencial para aproveitar esse movimento, está muito enganado. 

A Agência de Notícias da Indústria te mostra que a combinação entre geografia privilegiada e capacidade técnica da nossa indústria dá ao Brasil condições para se posicionar como um polo espacial relevante, especialmente na América Latina. Vamos conferir!

Localização estratégica favorece lançamentos e reduz custos

O Centro de Lançamento de Alcântara é considerado um dos principais trunfos brasileiros. Localizado próximo à Linha do Equador, o centro, operado pela Força Aérea Brasileira (FAB), é considerado “o melhor endereço do mundo para o lançamento de foguetes”.

É que a localização permite menor consumo de combustível nos lançamentos e aumenta a capacidade de carga útil dos foguetes — fatores decisivos para empresas que buscam competitividade em um mercado marcado pela redução de custos e aumento da frequência de lançamentos.


Com localização privilegiada, o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, tem a capacidade de otimizar o lançamento de foguetes. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Com localização privilegiada, o Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, tem a capacidade de otimizar o lançamento de foguetes. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Ambiente favorável para novos negócios espaciais

A abertura do setor e a busca por parcerias internacionais ampliam o potencial do Brasil como destino para investimentos na área espacial.

O uso comercial de Alcântara, aliado ao crescimento da demanda por lançamentos de pequenos satélites e serviços como conectividade global, cria oportunidades para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional.

Esse movimento pode estimular a participação da indústria brasileira em segmentos de maior valor agregado, integrando o país a um mercado em expansão.

Monitoramento por satélite é ativo consolidado

O país também se destaca pela experiência no desenvolvimento e uso de satélites para monitoramento de áreas ambientais desmatadas, queimadas e uso do solo.

Iniciativas como o Programa CBERS – criado em parceria com a China – e projetos conduzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) garantem ao Brasil capacidade de geração e análise de dados estratégicos. 

Essas tecnologias têm impacto direto em setores como agronegócio, energia e planejamento urbano — além de atender a demandas crescentes da agenda ESG no mercado global.

Foi com esse objetivo que o INPE conseguiu lançar, em 2022, o primeiro satélite 100% brasileiro: o Amazônia-1, completamente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil.

Já o VCUB1, no ano seguinte, foi o primeiro satélite privado de observação da Terra e coleta de dados lançado pela indústria brasileira, em uma rede de parceiros liderada pela Visiona (joint-venture entre a Embraer e a Telebras), que inclui o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados.


O VCUB1 é o primeiro satélite de observação da Terra e coleta de dados projetado pela indústria nacional. Foto: ISI-Sistemas Embarcados

O VCUB1 é o primeiro satélite de observação da Terra e coleta de dados projetado pela indústria nacional. Foto: ISI-Sistemas Embarcados

Essa parceria continua com o desenvolvimento do SatVHR, um satélite brasileiro de pequeno porte e alta resolução que poderá ser usado para monitorar florestas, rios e mares, ajudar no planejamento de cidades e auxiliar no processo de digitalização da agricultura.

Outro importante projeto em desenvolvimento é o Constelação Catarina, em que serão construídos 12 nanossatélites para realizar o sensoriamento remoto do território e atmosfera. O projeto é uma parceria entre o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do INPE.

Desafios ainda limitam avanço

Apesar das vantagens, o Brasil ainda enfrenta obstáculos relevantes, como a necessidade de maior volume de investimentos, continuidade de políticas públicas e redução da dependência tecnológica externa.

Segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2023 o Brasil teve o segundo menor investimento no setor espacial entre todos os países do G20. Enquanto os Estados Unidos destinaram 0,264% do seu PIB (US$ 27,7 trilhões) para o setor, o Brasil investiu apenas 0,002% (US$ 47 milhões).

O setor aeroespacial é contemplado na Nova Indústria Brasil (NIB) - política industrial orientada por missões proposta pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). A missão 6 da NIB visa aumentar a autonomia e a soberania do país no setor aeroespacial.

Ao todo, serão aportados cerca de R$ 113 bilhões na missão, que busca ampliar o domínio brasileiro em áreas como radares, satélites e foguetes.

O tema também está presente no Mapa Estratégico da Indústria da CNI (2023 - 2032) e no Plano de Retomada da Indústria, que recomendou, entre outras prioridades, o investimento em tecnologias e inovações de uso dual, que têm aplicação tanto no meio civil como militar, o que fortalece a indústria de defesa e segurança nacional.

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