Raízen propõe aporte de R$ 5 bilhões para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões

O plano da Raízen para evitar o colapso: novo aporte bilionário entra na mesa de negociações

Raízen propõe aporte de R$ 5 bilhões para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões
Raízen tenta acordo com bancos mas impõe condição sobre comando de Rubens Ometto Foto: Divulgação
Por Francieli Anjos |
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A Raízen SA (RAIZ4) apresentou, na noite do último sábado, uma contraproposta estratégica aos seus credores na tentativa de destravar a reestruturação de uma dívida estimada em R$ 65 bilhões (aproximadamente US$ 13 bilhões). O novo plano traz como principal atrativo a busca por um aporte de capital adicional, variando entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo informações divulgadas pelo portal InfoMoney e fontes próximas às negociações.

Este montante seria somado aos R$ 4 bilhões já garantidos pela Shell Plc e pelo empresário Rubens Ometto. Entretanto, a origem exata desse novo fôlego financeiro ainda não foi detalhada, uma vez que a Cosan SA, que divide o controle da companhia com a Shell, não sinalizou novas injeções de capital no momento.


O impasse sobre a governança e o comando de Ometto

Apesar da sinalização financeira positiva, a Raízen mantém uma postura rígida em relação à governança corporativa. A companhia rejeitou formalmente exigências cruciais feitas pelos detentores da dívida, como a entrega da maioria das cadeiras no Conselho de Administração.

Outro ponto de forte atrito é a permanência de Rubens Ometto na presidência do conselho. Enquanto bancos credores e detentores de bônus articulam a saída do fundador para renovar a gestão, a Raízen sinaliza que Ometto pretende manter sua posição de liderança. Em contrapartida, a empresa aceitou a criação de um comitê de credores para monitorar de perto as decisões de governança, uma tentativa de oferecer maior transparência ao processo.


Divisão acionária e ativos internacionais

No que tange à estrutura de capital, a proposta da gigante do setor de bioenergia mantém os seguintes termos:

  • Conversão de Dívida: Os credores passariam a deter 70% de participação em uma eventual conversão de dívida em ações.

  • Ativos na Argentina: A Raízen descartou a sugestão dos bancos de utilizar 30% da receita proveniente de vendas de ativos em solo argentino para a amortização imediata de débitos.

  • Responsabilidade Executiva: A companhia também resiste à cláusula que prevê a responsabilização futura de executivos por passivos eventuais.

Até o momento, Raízen, Cosan e o empresário Rubens Ometto optaram por não comentar as negociações. A Shell também não emitiu posicionamento oficial sobre os novos termos apresentados.

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