Cientistas do Brasil e Reino Unido se reúnem em Belém para debater o futuro da restauração na Amazônia
Evento internacional, de 17 a 19 de março, buscou transformar dados científicos em soluções práticas de conservação, restauração inclusiva e governança participativa para as comunidades da Amazônia.
Gostou? Compartilhe com amigos!
Vagas e Notícias no seu Celular!
Receba alertas de empregos e notícias urgentes da região diretamente no seu WhatsApp.
👉 ENTRAR NO CANAL GRATUITO Seu número fica oculto e protegido.Entre os dias 17 e 19 de março de 2026, a Ilha do Mosqueiro, em Belém-PA, tornou-se o centro de discussões estratégicas para a maior floresta tropical do mundo. O workshop "Florestas Amazônicas no Século XXI: da compreensão das pressões socioambientais à formulação de soluções" reuniu uma rede de especialistas da ciência brasileira e britânica para traçar caminhos de resiliência climática e justiça social.
O evento consolidou a atuação conjunta e articulada de uma série de projetos colaborativos entre o Brasil e o Reino Unido. Um dos grandes destaques é a participação ativa de pesquisadores do Capoeira - Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental, que integram o fórum para discutir soluções práticas para enfrentar as pressões socioambientais da região. O Centro Capoeira é coordenado pela Embrapa com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A ciência produzida no workshop tem um destino claro: as comunidades locais e a formulação de políticas públicas. A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental e coordenadora do Centro Capoeira, reforça que a conservação não pode ser separada da justiça social. Para ela, o grande desafio é fazer com que os dados científicos cheguem de forma prática aos tomadores de decisão.
"O objetivo chave é contribuir para uma restauração inclusiva, que atenda às prioridades das comunidades locais. Precisamos que as leis e regras sejam estabelecidas a partir de informações científicas e, também, das necessidades de quem vive na floresta", defende Joice.
Nesse contexto de normas e direitos, a pesquisadora Murakami, bolsista da Embrapa e especialista em governança e legislação de restauração, aponta que o diálogo presencial é essencial para resolver entraves jurídicos. Yuki estuda como tornar os processos de recuperação florestal mais participativos.
"Um dos principais gargalos da restauração é a inclusão das populações tradicionais e comunidades que já atuam na área na tomada de decisão. A legislação precisa ser mais participativa e inclusiva em relação a esses grupos para que a restauração ganhe escala", explica Murakami.
Mais do que um encontro de especialistas seniores, o workshop teve como missão central o fortalecimento da próxima geração de cientistas. O evento foi desenhado para oferecer um ambiente de mentoria e suporte para pesquisadores em início de carreira, permitindo que apresentem seus estudos e debatam os temas mais urgentes do ecossistema amazônico atual. Durante três dias, os participantes visitaram uma floresta madura (primária) no Parque Guma, uma floresta secundária e um sistema agroflorestal no Assentamento Abril Vermelho.
Para Jos Barlow, professor de Ciências da Conservação na Universidade de Lancaster e membro do comitê gestor do Capoeira, o encontro é o momento de conectar dados que antes seguiam caminhos isolados. Barlow explica que a união de métodos, do monitoramento por satélite ao trabalho de campo, é o que permite avançar na compreensão da floresta.
"Integrando pontos de vista e conhecimentos de vários lugares, conseguimos validar métodos e melhorar os modelos globais para entender melhor o que está acontecendo no chão. Assim, avançamos além de um conhecimento que, às vezes, ainda é muito fragmentado", afirma Barlow.
O workshop é uma oportunidade para definir limites seguros para o ecossistema, de acordo com Stephen Sitch, professor de Geografia Física na Universidade de Exeter e coordenador do projeto SOS, fruto de acordo de cooperação internacional do Reino Unido e Embrapa. "Temos vários projetos que são muito complementares e é empolgante reunir múltiplas disciplinas para focar no destino da Amazônia. Queremos entender como desenvolver um 'espaço operacional seguro' e onde a restauração pode trazer mais benefícios", pontua, destacando a urgência de identificar as áreas mais vulneráveis da região.
O encontro é fruto de uma parceria estratégica financiada por importantes agências de fomento, incluindo Climate Science for Service Partnership (CSSP LURE); Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC – DEFRA); Natural Environment Research Council (NERC-UKRI); e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio dos programas Capoeira e Pelds RAS.
Texto: Natália Mello / Centro Capoeira
Núcleo de Comunicação Organizacional
Embrapa Amazônia Oriental
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Parque Estação Biológica - PqEB, s/nº, Brasília, DF
CEP 70770-901 / Telefone: (61) 3448-4433
E-mail: sac@embrapa.br
Todos os direitos reservados, conforme Lei nº 9.610
Portal Embrapa (Versão 3.162.0) p03