Mulher contesta versão que cunhada tomou veneno sob ameaça do marido

Fonte: Da redação, em09/12/2015

Dora Sanches com o irmão Lucas Sanches (Foto: Arquivo Pessoal)

A família de Lucas Sanches da Silva, de 40 anos, que morreu ao tomar veneno após saber da morte do filho de 4 anos, em Ibirá (SP), nega a versão do depoimento da mãe do menino, Natália Fernandes Balieiro, de 29 anos, dado para a polícia na última sexta-feira (4), em Macaubal (SP). Natália disse que o marido a forçou a tomar o veneno.

"Para quem não conhece a história, ele vai ser o carrasco, né? Ele colocou a arma na cabeça dela? Que arma? Não foi achada arma nenhuma. Essa história me pegou de calça curta. Tenho certeza que ele jamais faria o que ela disse. Ele gostava muito dela e jamais ele iria ameaçá-la a fazer qualquer coisa desse tipo, de jeito nenhum", diz a agropecuarista Dora Lúcia Sanches Silva, de 35 anos, irmã de Lucas e cunhada de Natália.

Natália e seus pais prestaram depoimento, mas não quiseram dar entrevistas. Segundo o advogado de Natália, Élcio Padovez, Lucas estava com uma espingarda na mão quando tomaram veneno. "Ele a forçou a beber veneno”, diz.

O delegado Luciano Birolli Sanches Peres, que investiga o caso, diz que irá ouvir Dora e a mãe dela nos próximos 15 dias e espera o laudo sobre as causas da morte do menino para prosseguir com o caso.

Dora diz que acompanhou Natália durante todo o período de recuperação dela no Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) e afirma que a versão contada na ocasião é diferente da apresentada à polícia.

"Quando ela começou a falar, quando saiu do coma, eu, a mãe e a irmã dela, que estávamos no hospital com ela, fomos orientadas a não tocar no assunto, porque ela não sabia se o Lucas tinha morrido ou não. No outro dia, ela me perguntou como o Lucas tinha sido enterrado. Ainda olhei para a mãe e a irmã, querendo dizer, quem contou para ela? Ela quis falar como foi, ninguém perguntou. E não foi essa versão do depoimento que ela contou."

Dora diz ainda que a ideia de tomar veneno teria partido de Natália, e não do irmão. "Segundo o que a própria Natália me falou, meu irmão disse que ela não era obrigada a fazer nada. Aí ela falou: 'Eu quero sentir a mesma dor que o meu filho sentiu, eu quero ser envenenada.'"

 

Segundo Dora, desde o dia em que o sobrinho foi internado, o irmão dela percebeu que o menino estava muito ruim e falou que seria capaz de dar um tiro na própria cabeça caso ocorresse algo com ele.

"Na noite antes do tragédia, meu irmão disse que se o Zé Lucas (filho dele) morresse, ele ia dar um tiro na cabeça, que para ele não tinha mais sentido viver. O menino morreu às 5h30 e às 6h20 ele me ligou e falou: 'Dora, o nenê morreu.' O pai e a mãe da Natália estavam lá no hospital. A Natália falou para o pai dela que era para enterrar os três juntos em Ibirá. Ela falou em alto e bom tom", diz.

A agropecuarista está indignada com as declarações e diz que ninguém da família esperava isso. "Ela é uma menina muito doce, muito querida, serena e ninguém esperava esse tipo de atitude dela. Eu acho que ela está sendo orientada", afirma.

Leia a matéria completa: G1

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